Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Drauzio Varella

"Existe um tipo de cérebro que é racional. Há pessoas que querem entender tudo que se passa, ir a fundo em todas as questões e saber porque as coisas acontecem. Pessoas com esse tipo de formação, dificilmente é religiosa. A religião implica em você acreditar e aceitar fatos sem explicação. Para quem é religioso, é impossível aceitar a vida de uma forma racional. Para o materialista, é difícil entender o argumento religioso"

ÉPOCA - A aceitação da morte é mais fácil para quem tem fé?
Varella
- Na minha vivência, os ateus aceitam melhor a morte. Acham que a vida tem começo, meio e fim. Ninguém opta por ser religioso ou ateu, assim como não escolhemos ser hétero ou homossexual. A sexualidade é o que é. Da mesma forma, a fé existe ou não. Quem tem uma visão materialista do mundo não conseguiria viver de outra forma.

ÉPOCA - O senhor é ateu?
Varella
- Se o rótulo é esse, fazer o quê? Não sou religioso. Respeito todas as crenças, mas os religiosos não têm nenhum respeito pelas pessoas sem fé. Quando digo que não tenho religião, acham que sou imoral. É como se eu tivesse parte com o diabo.

ÉPOCA - É verdade que o senhor não se acha uma boa pessoa e não estava interessado em ajudar os bandidos do Carandiru?
Varella
- Essa frase mal colocada surgiu na imprensa logo depois da exibição de Carandiru no Festival de Cannes. Disse que decidi trabalhar no presídio por uma motivação pessoal, por curiosidade pelo ambiente de cadeia. Não fui movido por humanitarismo nem por simpatia pelos presos. Falei em inglês e talvez não tenha sido claro. Não gosto dos rótulos que tentam colocar nas pessoas que fazem algum trabalho social. Lembro-me do Betinho, que foi pintado como santo. Ele foi muito mais do que isso, justamente por não ser santo, por ser cidadão.

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Todos os ateus públicos deviam ser como Drauzio e mostrar a cara.

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